Depois de ganhar alguma desenvoltura nas ruas de Cascais, Estoril e arredores, chegou a altura de dar o salto e desbravar as ruas de Lisboa. E lá fui eu, ao volante de uma Piaggio Medley S 125cc, para a segunda parte desta aventura.

Ao fim da primeira parte da experiência (que pode ser lida aqui), já estava mais descontraída ao volante e capaz de me sentir em sintonia perfeita com a scooter. Os movimentos fluíam de forma natural e confortável. Parecia a altura perfeita para dar um passo a diante e enfrentar os obstáculos de Lisboa. E foi o que fiz.

Lisboa, aqui vou eu!

Experimentei ir pela marginal e também pela auto-estrada. Duas experiências completamente diferentes, mas para as quais a Medley proporcionou as condições técnicas necessárias para que eu me sentisse sempre em segurança e com estabilidade.

A marginal tem um ritmo mais brando. Semáforos e peões proporcionam uma dinâmica que requer atenção, mas que acaba por ser fisicamente menos exigente e mais tranquila. A auto-estrada, por sua vez, impõe um ritmo mais intenso e, mesmo com trânsito, o que se quer é chegar rápido. Este é, portanto, o mind set que ali impera.

Andar por primeira vez na auto-estrada sem trânsito com uma scooter é quase como tirar as braçadeiras pela primeira vez e ir para o mar. Aquela imensidão toda só para nós até assusta. Mas esta impressão dura pouco. Três faixas, bom piso e poucos obstáculos: tudo nos desafia a acelerar. Com o trânsito e as suas intermináveis filas, por sua vez, acelerar é mais difícil. Foi então que me deparei com o facto de que tinha chegado a altura de aprender a andar entre os carros parados ou em movimento lento. Afinal, este é um dos grandes trunfos de andar em duas rodas: pode esquivar-se dos engarrafamentos.

Nas primeiras vezes a adrenalina era grande. Havia o medo do inesperado e de não conseguir manter o equilíbrio necessário para não riscar carros ou partir espelhos retrovisores alheios. Depois, tudo começou a correr naturalmente. E o treino estendeu-se para dentro de Lisboa com o seu trânsito mais carregado de carros e inúmeros semáforos. Deixo aqui uma palavra aos condutores. O meu ‘obrigada’ aos gentis que deram ‘aquele jeitinho’. Sempre o fiz e soube bem que o tenham feito para mim também. Aos que, pelo contrário, dificultaram (sim, há uns poucos que o fazem) só posso dizer não me conseguiram tirar o prazer de deslizar pelo trânsito em duas rodas.

Teste scooter Piaggio Medley (parte 2)

Pelas sete colinas

Em Lisboa o trânsito é, sem dúvida, mais selvagem do que na Linha. Mais carros menos paciência. Mas também mais prazer: de conseguir estacionar sem ter de dar voltas e voltas, e de chegar num instante onde quer que seja.

Os carros não são o pior de Lisboa para quem anda numa scooter ou mota. O piso irregular, sobretudo nas zonas mais antigas, e os carris dos elétricos definitivamente requerem atenção. Nada que uma boa dose de cautela (e na memória todos os ensinamentos obtidos no treino com os especialistas a Prevenção Rodoviário Portuguesa – PRP) não resolva.

Pensei que iria sentir mais as subidas e descidas, também intermináveis em Lisboa. A Medley driblou-as sem problemas, proporcionando a segurança que se pretende nessas situações.

Teste scooter Piaggio Medley (parte 2)

Vou ali e já venho

‘Enjoy the ride’ poderia ser o lema da experiência na Linha. As paisagens, os sons e os aromas de cada recanto transformavam cada saída num momento especial e extremamente agradável. Em Lisboa, sem qualquer sombra de dúvida, a expressão que fica é: ‘No stress’. A deslizar pelas ruas mesmo com trânsito, com a certeza de chegar a horas e de encontrar onde parar sem problemas.

Escusado será dizer que a hora mais difícil foi a de devolver a Medley S 125 à sede da Piaggio, em Alcântara. Depois de uma experiência tão intensa, divertida e libertadora, era impossível dizer ‘Adeus’ de ânimo leve. Optei por um ‘até breve’ e parti certa de que irei voltar.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Fotos feitas pelo parceiro de testes João Gata, do VoiceBox. 🙂

Ideias que ficam

. Zen – Esta é a melhor postura ao volante de uma scooter. A gozar o momento, sem stress e sem se deixar contagiar pelo frenesim da cidade ou pelo nervosismo e mau humor de alguns condutores.

. Alerta – Quanto mais elementos temos à nossa volta, mais atenção precisamos. Não é preciso tensão. Basta que os sentidos estejam despertos e, como diziam os especialistas da PRP, sempre a olhar mais à frente para prever cada situação antes qe elas nos apanhem desprevenidos.

. Respeito – É verdade que com uma scooter podemos parar facilmente em quase todo o lado. Mas sem esquecermos que o passeio é de todos e que nas cidades grandes há zonas proibidas.