Sabia que de 10 a 20 % dos jovens portugueses são vítimas de cyberbullying? E a melhor arma para combater este problema é a informação. Assim, neste Dia Nacional de Sensibilização Sobre o Cyberbullying, é isso vamos fazer aqui, numa entrevista respondida a 6 mãos, pelos autores do livro Cyberbullying – Um Guia para Pais e Educadores: Sónia Seixas, Luís Fernandes e Tito de Morais.

 O que é o cyberbullying?

Sónia Seixas: A literatura científica apresenta-nos diversas definições, mas no livro “Cyberbullying – Um Guia Para Pais e Educadores”, desenvolvemos o tema começando por contextualizar o fenómeno através da comunicação mediada pelos ecrãs. Depois, então definimos o cyberbullying como uma forma de comportamento de bullying indireto porque utiliza as tecnologias digitais. Nesse sentido, podem-se considerar comportamentos de cyberbullying, todos aqueles que, veiculados pelas tecnologias digitais, intencionalmente agridem terceiros, de forma repetida (podendo a repetição advir de uma ação única, mas cuja repetição advém da partilha desse conteúdo). Abordamos também as formas que o cyberbullying assume, assim como as semelhanças e diferenças entre bullying e cyberbullying.

Quem são as principais vítimas?

Luís Fernandes: No livro temos um capítulo “Participantes e papéis desempenhados” que desenvolve o tema. No entanto, resumidamente, no livro explicamos que qualquer pessoa pode ser vítima de cyberbullying, uma vez que a agressão através das tecnologias digitais não implicam uma desigualdade de poder como sucede nos casos de bullying em contexto presencial (onde usualmente as vítimas são fisicamente mais fracas ou mais novas ou mais inseguras e retraídas). O simples facto de se ser diferente, pode tornar-nos um alvo de cyberbullying. Naturalmente que os sujeito-alvo são usualmente aqueles que mais se movimentam nos locais onde as agressões têm lugar.

Cyberbullying

Quais são as formas/meios mais recorrentes?

Sónia Seixas: No capítulo “Definição e formas de cyberbullying” desenvolvemos este tópico. No entanto, podemos dizer que são diversos, porque temos de considerar não só o tipo de conteúdo digital (texto, fotografia, vídeo, áudio…) como as formas de disseminação (através de email, blogues, telemóvel, salas de chat…). De um modo geral contam-se as mensagens/comentários anónimos irados, ameaçadores ou intimidatórios e a divulgação de conteúdos pessoais, privados, íntimos que causem algum embaraço aos sujeitos-alvo. Assédio, difamação e exposição do outro são os casos mais frequentes.

Tito de Morais: Ainda a este propósito, um dos anexos do livro desenvolve os comportamentos geralmente associados ao cyberbullying, explicando 17 destes comportamentos que são geralmente conhecidos por expressões em inglês.

Como detectar sinais de que o nosso filho está a ser vítima desta forma de bullying?

Luís Fernandes: Um dos capítulos do livro, “Atenção aos sinais de alerta”, dedica-se exclusivamente a este tópico. Os sinais são semelhantes aos manifestados por crianças e jovens vítimas de bullying na escola e que se prendem fundamentalmente com manifestações de dor e sofrimento (alterações súbitas de humor; queixas psicossomáticas recorrentes; perturbações do sono e/ou da alimentação; maior tristeza e abatimento; inibição e ansiedade em situações sociais …) De modo mais específico, também podemos estar atentos à alteração na utilização da Internet, por exemplo na maior relutância ou uso excessivo das tecnologias digitais.

O que fazer para o evitar?

Tito de Morais: Para reduzir a probabilidade de ser vítima de cyberbullying, e portanto numa ótica preventiva, há um conjunto de regras e orientações que podemos e devemos incentivar os mais novos a seguir e que promovem uma navegação segura na Internet.

Cyberbullying

Como fazer para travar este tipo de ação?

Tito de Morais: São quatro as abordagens que, de forma mais detalhada, são apresentadas neste livro e que ajudam a prevenir, intervir e combater o cyberbullying: as abordagens regulamentares (no âmbito do enquadramento legal e das regras que se podem implementar no que concerne à utilização das tecnologias digitais); as abordagens educacionais (mais direcionadas a professores, educadores e instituições educativas); as abordagens parentais (que inclui uma série de pistas e orientações que os pais podem implementar junto dos seus filhos); e as abordagens tecnológicas (que engloba uma variedade de ferramentas tecnológicas que ajudam a controlar, monitorizar e prevenir a ocorrência destes comportamentos);

Sónia Seixas: Acima de tudo o mais importante é a sensibilização para esta problemática, incluindo o conhecimento das suas diferentes manifestações e implicações, de modo a que se tenha uma maior consciência dos vários fatores facilitadores que, muitas vezes, possibilitam o degenerar de simples e inofensivas ações, em situações incontroláveis de cyberbullying.

Existe alguma entidade ou organização que apoiam as vítimas, ajudam a orientar os pais ou prestam alguma forma de auxílio?

Tito de Morais: Em Portugal não existe nenhuma entidade especificamente dedicada ao cyberbullying. No entanto, existem diversas linhas de apoio a que os pais poderão recorrer para obter ajuda, informação e conselho sobre temas e situações relacionados com esta problemática. O livro contém um anexo exclusivamente dedicado a divulgar estas linhas de apoio e outro dedicado a dar a conhecer as entidades a que as vítimas, famílias ou escolas pode recorrer para obter ajuda na aplicação da lei.