Há certas expressões que, sem pedir licença, invadem o nosso mundo. Estão nos jornais, nas revistas, nas bocas de amigos e desconhecidos, e até mesmo nas redes sociais. Colam-se no discurso dos que nos rodeiam antes mesmo que percebamos o que significam. Insistem, resistem e não nos largam, até que um dia dizemos: “Chega! Está na hora de perceber o que é que isso quer dizer!” Internet das Coisas é uma destas expressões e é sobre ela que agora vou escrever.

Internet das Coisas, Internet of Things (na versão original como surgiu) ou IoT (como é intimamente tratada) “significa dispositivos conectados por Internet capazes de comunicar com o(s) seu(s) utilizador(es), com aplicações ou com outros dispositivos”. É assim que explicou, numa definição muito direta, Nuno Ribeiro, country manager para Portugal do Institut Fabernovel, durante a apresentação do curso do ISEG de Marketing Digital para Executivos*. E acrescentaria: é como se objectos banais, grandes ou pequenos, de uma certa forma, ganhassem vida. E o que hoje vemos é apenas o começo. “Até 2020 haverá mais de 25 mil objetos conectados e este mercado valerá 300 mil milhões dólares”, informa Nuno Ribeiro.

 

EM CASA

Na prática, o que é que significa IoT? Eu diria que estará (e está) presente nas nossas vidas em vários planos. Na nossa esfera pessoal e doméstica, é o caso da máquina de lavar roupa que pode ser controlada à distância através de uma aplicação que permite que, desde o nosso local de trabalho, por exemplo, possamos pô-la a lavar, parar, ou saber em que fase da lavagem se encontra. Ou ainda o caso do serviço de segurança integrada dentro de casa: sensores de movimento e câmaras que nos dão aceso a saber à distância se alguém indesejado tentou entrar em casa, ou pura e simplesmente se os nossos filhos já chegaram da escola ou se o cão está bem, por exemplo.

ENTRE A CASA E O COMÉRCIO

A IoT também pode ser encontrada ao nível da nossa relação com prestadores de serviço. Um bom exemplo é o caso da Amazon Dash Buttons, que tem como missão manter o utilizador sempre abastecido com os seus produtos preferidos. A ideia é escolher alguns destes botões conectados via Wi-Fi e tê-los em casa, posicionados na embalagem de um determinado produto ou no eletrodoméstico no qual o utilizamos. Quando o produto está a chegar ao fim, é só carregar no botão e a encomenda é feita. Os Dash Buttons funcionam associados a uma aplicação que permite não só acompanhar a evolução da encomenda como a cancelar caso tenha sido feita acidentalmente. Atualmente existem 29 destes botões disponíveis para os clientes premium da Amazon nos Estados Unidos.

Outro exemplo é o criado pela cadeia francesa Darty. Trata-se também de um botão ligado à Internet e através do qual os seus clientes podem rapidamente aceder ao serviço de apoio ou de pós-venda. Basta carregar no botão e o cliente é contatado imediatamente. Este é um serviço a funcionar 24 horas por dia 7 dias na semana.

 

AS CIDADES INTELIGENTES

Mas a IoT não está apenas dentro das nossas casas. Está por todo o lado e pode ser um recurso muito útil para diversos organismos alcançarem uma gestão de recursos mais inteligente e otimizada. Um bom exemplo disso é o da cidade de Barcelona. Considerada uma verdadeira Smart City, Barcelona usa e abusa da IoT. Fá-lo, por exemplo, ao gerir o estacionamento nas suas ruas. Os condutores que não queiram perder tempo a estacionar o carro precisam apenas de baixar uma app que indica rapidamente onde está o lugar mais próximo para estacionar o carro, sempre que for preciso.

Em Barcelona, a IoT também ajuda na otimização da recolha do lixo, uma vez que em algumas zonas os caixotes possuem sensores que indicam quando estão suficientemente cheios para serem recolhidos. A Internet das Coisas também dá vida às paragens de autocarro daquela cidade espanhola. Estas proporcionam trajetos, indicam o tempo de espera e fornecem informação variada sobre a área em que se encontram (veja o vídeo).

E a tendência é que cada vez mais as cidades utilizem sensores para medir o estado das coisas: a energia consumida, as emissões de CO2 consumido, ou as temperaturas, por exemplo.

Com tudo isso, neste momento, a utilização da IOT não chega a uma ínfima percentagem das suas possibilidades. Já imaginou tudo o que pode vir a fazer?

*Esta será a segunda edição do programa de Marketing Digital para Executivos no Instituto Superior de Economia e Gestão